nunca mais rosas mancharão meu ventre
Domingo, 2 de Abril de 2006
Soneto de amor dificil

 

A praia abandonada recomeça,

logo que o mar se vai, a desejá-lo:

é como o nosso amor, somente embalo

enquanto não é mais que uma promessa...

 

Mas se na praia a onda se espedaça,

há logo a nostalgia duma flor

que ali devia estar para compor

a vaga em seu rumor de fim de rala.

 

Bruscos e doloridos, refulgimos

no silêncio da morte que nos tolhe,

como entre o mar e a praia num grande molhe

de súbito surgido à flor dos limos.

 

E deste amor dificil só nasceu

desencanto na curva do teu céu.

 

David Mourão-Ferreira, Tempestade de Verão, 1950-1953


Fotografia: Mar

publicado por Mar às 18:01
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1 comentário:
De ousadiasedesabafos a 5 de Abril de 2006 às 14:10
Numa série de pesquisas, encontrei o seu blog e detive-me nele.
Tem uma bela selecção de poesia, e as fotos são giras.
Adoro este poema.
Sinceramente...gostei


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