nunca mais rosas mancharão meu ventre
Quinta-feira, 6 de Abril de 2006
As virtudes dialogais

Dentro

de mim

há uma planta

que cresce

alegremente

que diz

bom dia

quando nos amamos

ao entardecer

e boa noite

quando florimos

à alvorada

uma árvore

que não está com o tempo

este tempo

a que chamamos

nosso.

 

Pedro Oom 


Fotografia: Mar


Quarta-feira, 5 de Abril de 2006
Erra uma vez...

nunca cometo o mesmo erro

         duas vezes

já cometo duas três

           quatro cinco seis

             até esse erro aprender

que só o erro tem vez

 

Paulo Leminski in "La vie en close"


Fotografia: Mar

publicado por Mar às 20:35
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Amar

Eu quero amar, amar perdidamente!

Amar só por amar: Aqui... além...

Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...

Amar! Amar! E não amar a ninguém!

 

Recordar? Esquecer? Indiferente!...

Prender ou desprender? É mal? É bem?

Quem disser que se pode amar alguém

Durante a vida inteira é porque mente!

 

Há uma Primavera em cada vida:

É preciso cantá-la assim florida,

Pois se Deus nos deu voz foi pra cantar!

 

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada

Que seja a minha noite uma alvorada,

Que me saiba perder... para me encontrar...

Florbela Espanca


Fotografia: autor desconhecido


Domingo, 2 de Abril de 2006
Soneto de amor dificil

 

A praia abandonada recomeça,

logo que o mar se vai, a desejá-lo:

é como o nosso amor, somente embalo

enquanto não é mais que uma promessa...

 

Mas se na praia a onda se espedaça,

há logo a nostalgia duma flor

que ali devia estar para compor

a vaga em seu rumor de fim de rala.

 

Bruscos e doloridos, refulgimos

no silêncio da morte que nos tolhe,

como entre o mar e a praia num grande molhe

de súbito surgido à flor dos limos.

 

E deste amor dificil só nasceu

desencanto na curva do teu céu.

 

David Mourão-Ferreira, Tempestade de Verão, 1950-1953


Fotografia: Mar


Sábado, 1 de Abril de 2006
Vodka & Valium Dez

Quem me espera não me espera

quem me ama já esqueceu

quem me toca dilacera

que estranha Primavera

que o mês de Maio me deu.

Eu já nem sei o que tenho

se febre se mal ruim

se este sentimento estranho

de não ser de aonde venho

comigo longe de  mim.

...

António Lobo Antunes


Fotografia: Mar
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Breve


Breve


a flor que abriu


e o sol mudou


Breve


tanto sonho findo


que a vida pisou.


 


João José Cochofel


Fotografia: Mar

publicado por Mar às 00:19
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