nunca mais rosas mancharão meu ventre
Quinta-feira, 29 de Junho de 2006
saudade

   

cansada da mulher durante o dia à tarde meus olhos ardentes procuram o teu rosto. apetece um ombro a cheirar a terra. da terra vou sabendo o nome inteiro. de ti lembro o verde, o castanho, o ouro. com os olhos rasos de lágrimas entrego-me a um choro quente e febril.  sem te encontrar à noite deito-me ao pé do teu retrato e entro no sonho como num bosque escuro.


Fotografia: Mar


Terça-feira, 27 de Junho de 2006
Bucólica
   

 

 

A vida é feita de nadas:

De grandes serras paradas

À espera de movimento;

De searas onduladas

Pelo vento;

 

De casas de moradia

Caiadas e com sinais

De ninhos que outrora havia

Nos beirais;

 

De poeira;

De sombra duma figueira;

De ver esta maravilha:

Meu Pai a erguer uma videira

Como uma Mãe que faz a trança à filha.

 

Miguel Torga


Fotografia: Mar


Sexta-feira, 23 de Junho de 2006
...
 

 

A tua beleza submerge-me, submerge o mais fundo de mim. E quando a tua beleza me queima, dissolvo-me como nunca, perante um homem, me dissolvera. De entre os homens eu era a diferente, era eu própria, mas em ti vejo a parte de mim que és tu. Sinto-te em mim. Sinto a minha própria voz tornar-se mais grave como se te tivesse bebido, como se cada parcela da nossa semelhança estivesse soldada pelo fogo e a fissura não fosse detectável.

 

Anaïs Nin. A casa do incesto


Fotografia: Mar


Quinta-feira, 15 de Junho de 2006
Depois do amor
     

 

Então soubemos

a via transparente,

a luz reveladora,

a meta incandescente!

Silenciemos agora...

Adormece nos meus olhos

e deixa que entre

a alvorada acolhedora.

 

(Amor jura que vens ter comigo

mais logo, no limiar da noite,

para eu semear o teu caminho de flores)

 

 


Fotografia: Mar


Sábado, 10 de Junho de 2006
Meu amor
     

 

Não gosto dos fins a saberem a fim

Não gosto da suspensão suspensa

             Como eu te sonhei

             Como eu te amo  

                                  - Meu Amor -

Deslizas-me

             Ocorres-me

                          Transpareces-me

Lentamente

             devagarinho

                            a brisa num sussurro

"Como a vida é breve

Para soletrar o mundo

e o teu corpo

               Também eu

Quisera amar-te

Em forma de rondó..."

 

 

 



Fotografia: Mar


Sábado, 3 de Junho de 2006
Alma minha gentil

Alma minha gentil, que te partiste

tão cedo desta vida descontente,

repousa lá no céu eternamente,

e viva eu cá na terra sempre triste.

 

Se lá no assento etéreo, onde subiste,

memória desta vida se consente,

não te esqueças daquele amor ardente

que já nos olhos meus tão puro viste.

 

E se vires que pode merecer-te

algua coisa a dor que me ficou,

da mágoa, sem remédio, de perder-te,

 

roga a Deus, que teus anos encurtou,

que tão cedo de cá me leve a ver-te,

quão cedo de meus olhos te levou.

 

Luis de Camões

(para o Nilson)

Fotografia: Mar

 




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